O Museu enfrentava uma grande dificuldade em alcançar o seu público-alvo ─ população negra. Investigando o modo como a instituição era vista pela comunidade ao redor e também pela gestão pública, identificamos que muitas pessoas relataram ou não se sentirem à vontade de ocupar esse tipo de espaço ou não sabiam onde ficavam o Museu ─ ainda que fosse no Centro da capital e o espaço existisse desde 1993 ─ porque não havia sinalizações no prédio que identificassem o museu, nem tampouco placas de sinalização na cidade.
Em vias de reabrir as portas após o lockdown da pandemia causada pela Covid-19, decidimos dar conta desse isolamento do Museu, produzindo um material informativo sobre sua história com conteúdos retirados de jornais e trabalhos acadêmicos. Para criar uma ideia de acolhimento e aproximação com o espaço, estruturamos perguntas e exercícíos educativos que instigassem as pessoas a pensarem "quais memórias pessoais colocaria dentro de um museu?". E então realizamos escaneamento do material original, reimprimimoos cópias para deixar dispostas na entrada do museu e entregues na mediação, mas também disponibilizamos online no Instagram do Museu.
O resultado da iniciativa ultrapassou nossos anseios. Além de conseguirmos atrair +6 mil pessoas e realizar 350 articulações no ano de 2022, também notamos diferenças significativas na gestão pública da representação do museu, pressionadas pelo então coordenador de 2022: foram adicionadas placas de sinalização para o museu, bem como um letreiro de identificação.
Minha atuação envolveu a curadoria de conteúdo para o zine, a formatação e produção das colagens do zine e também a estruturação de perguntas para o material educativo, bem como a entrega de materiais na mediação.