sabe o motivo desse abração entre mim e minha ex-orientadora?
sabe o motivo desse abração entre mim e minha ex-orientadora?
por causa da menção honrosa no prêmio Sociólogas e Sociólogos do Futuro que recebi no 21º Congresso Brasileiro de Sociologia, que ocorreu em Belém/PA no ano de 2023, em decorrência da apresentação dos resultados da minha pesquisa de iniciação científica desenvolvida entre os anos de 2021 e 2023 (falo um pouquinho sobre esse processo no final da página, vai lá ver daqui a pouquinho!)!
minha trajetória acadêmica possui pequenos marcos que são grandiosos e não param aí no prêmio...
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"Olá, boa noite a todes!
Em nome da turma de formandes de Ciências Sociais do ano de 2024 nos graus de bacharelado e licenciatura na Universidade Federal do Espírito Santo, eu agradeço a presença de cada pessoa aqui presente que, sem sombra de dúvidas, está tornando ainda mais honrosa a finalização dessa árdua trajetória que escolhemos vivenciar.
Uma escolha que, independente de ter sido a 4ª opção ou 1ª opção para qualquer ume de nós, não nos deixa negar um fato: nós entramos nas Ciências Sociais para transformar o mundo e nos percebemos transformados.
E quem irá dizer que a gente não queria ganhar dinheiro só porque escolhemos Ciências Sociais? Ora, Marx nos prometeu!
Quem irá dizer que não aprendemos sobre hierarquias sociais durante nossos jogos de bisca no Centro Acadêmico? E quem irá dizer que não absorvemos valiosas lições sobre a dificuldade de mudar uma sociedade quando tentávamos alterar as regras do jogo de bisca para que a rainha valesse mais que o rei ─ e aí percebíamos que essa regra não durava nem 2 partidas?
Quem irá dizer que as assembleias marcadas às 16h não nos ensinaram sobre desigualdades sociais quando percebíamos que quem tinha a condição de estar a par de determinadas decisões só eram os que não trabalhavam à tarde? E quem irá dizer que não aprendemos a identificar esses problemas sociais e treinar nossa capacidade de argumentação quando tivemos que tentar continuamente revelar o óbvio aqui dentro, que é: nem sopa nem verme é janta.
Escolhemos este curso porque nos preocupamos com o mundo, mesmo que seja apenas uma parcela dele. Demonstramos isso ao participarmos das lutas secundaristas pelo ensino médio, antes de entrar ou mesmo durante este curso, ou simplesmente quando buscamos processos justos dentro da faculdade e lutamos pela garantia de comida, permanência e uma experiência profunda seja para nós mesmos ou também para outres alunes que não tinham o direito a este espaço, ainda que ele seja público.
Travamos pequenas batalhas juntos, mas também uns contra os outros. Porque acima de tudo, aprendemos a lutar e aprendemos muito sobre o grande mundo nesse pequeno mundo das Ciências Sociais. Então, independentemente das causas, aprendemos a identificar os problemas em nossos modos de vida e socialização, para a encontrar formas de combatê-los.
E quem irá dizer que isso não é importante?
Veja, dinheiro é importante e eu quero sim, muito obrigada.
Mas, atualmente, enfrentamos mais um de vários processos críticos que a passagem dessa vida nessa terra exige. Estamos saindo desta universidade com uma sociedade refém de ideologias excludentes e um mercado que mói a gente.
Descobrimos muitas mázelas do mundo nessa experiência das Ciências Sociais, mas registro aqui uma frustração que deve servir também de palavra de apoio: não podemos abraçar todos os problemas do mundo e nem devemos. Este caminho, que foi uma sensação que todos aqui sentiram como dever em algum momento de sua trajetória, só nos desgastou e quase nos afastou da parcela do mundo que precisa de nós.
Agora, mais do que sempre, a sociedade precisa das pessoas que não aceitam alguns mundos como estão e que podem encontrar formas mais salubres para se viver para todos. Mas esse todos só será alcançado com o compromisso de cada um aqui com seus pequenos-grandes mundos que cada ume tem enquanto responsabilidade de causa. E com a nossa habilidade de colaborar uns com os outros.
Mas podemos fazer isso também garantindo a salubridade para nós mesmes.
Infelizmente, aprendemos tantas coisas e ainda somos reféns de um problema que muitas vezes nos impede de transformar o mundo efetivamente: nos ensinaram que nossas faculdades seriam nossos empregos.
Nos ensinaram um erro gigante, mas que bom que eu desenvolvi a ousadia necessária para poder dizer a vocês: A Ciências Sociais é presente e o futuro. Nossa faculdade não é o emprego que vamos ter, mas as habilidades que temos para poder fazer a diferença, independente do emprego que tivermos.
Por isso, com a brevidade que tenho aqui, quero poder regar essa semente que plantamos quando decidimos pelo curso, independente de qual opção ele fosse: que a gente nunca desista de nós mesmos, porque esse é o único mundo sobre o qual temos realmente poder de mudar. e que nunca desistamos de ter ousadia de mudar o mundo além de nós, porque é só assim que seremos instigados a mudar a nós mesmos.
Parabéns a nós, e também ao Bar do Mãozinha, que lucrou bastante com nossa frustração e os momentos que queríamos fugir da realidade.
Sigamos.
Obrigada."
congressos, apresentações, viagens, publicações, finalização e aprovação com nota 10 no trabalho de conclusão de curso “Territorialização da Negrura: um estudo de caso da política estadual de segurança pública a partir do território do bem, Vitória/ES como dispositivo de atualização do racismo institucional (2011–2022)” em Dezembro de 2023 ─ publicada pela Editora Segundo Selo em 2026 "Territorialização da negrura: o racismo institucional na segurança pública" (ISBN 978-85-67614-40-3)
Na experiência de pesquisadora associada ao Urbes, realizamos o I Seminário Urbes - Núcleo capixaba de estudos da experiência humana em meio urbano, em que participei da comissão organizadora, tendo também sido uma das debatedoras convidadas da Roda de Conversa "Nós, tu e eles: pesquisa em andamento entre a gestão do caos e a produção de sentidos" em Dezembro de 2022, no Museu Capixaba do Negro em Vitória/ES, para apresentar os resultados das pesquisas realizadas na iniciação científica.
Essa foi minha primeiríssima experiência com pesquisa científica de modo contínuo!
“Ordem para quem? Uma análise dos efeitos da política estadual de segurança pública no morro da Penha e no Morro São Benedito, Vitória - ES”
Conheci minha orientadora, Dr.ª Manuela Blanc, em sua matéria optativa sobre "Sociologia Urbana" (a qual no primeiro ano fui aluna e no segundo ano monitora) porque eu estava interessada em aprofundar alguns assuntos para pesquisas pessoais. Mas não ficamos apenas na relação efêmera da sala de aula, a professora ficou super interessada na minha curiosidade e minha capacidade de fazer apontamentos críticos e resolveu me convidar para construir uma proposta de subprojeto ao CNPq para vincular ao seu projetão FAPES “Criminalização da Pobreza e policiamento dos problemas sociais: uma análise da gestão urbana estatal no Espírito Santo – Brasil – 2011/2014”. Foi então em 2020 que iniciamos nossa relação, para construir, naquele momento, a proposta para investigar, no período entre 2021-2022, a gestão da criminalidade violenta na Região Metropolitana da Grande Vitória, Espírito Santo, entre 2011 e 2022 investigando a hipótese da criminalização da pobreza nas periferias urbanas através de realização e análise de entrevistas.
O segundo ano com pesquisa científica foi uma continuidade da análise dos dados coletados no primeiro ano, mas com um foco maior em escrever e apresentar os resultados em congressos!
“'Os problemas deles são os mesmos que os nossos': Análise das trajetórias de sensibilização e mobilização de lideranças comunitárias do Território do Bem, Vitória - ES"
Neste ano foi se desenvolvendo com mais corpo o grupo de pesquisa Urbes (Núcleo Capixaba de Estudos da Experiência Humana em Meio Urbano) coordenado pela minha orientadora Dr.ª Manuela Blanc e no qual sou pesquisadora associada. Então desenvolvemos ações e artigos em conjunto para viajarmos ao 21º Congresso Brasileiro de Sociologia em Belém/PA e para a XIV Reunião de Antropologia do Mercosul em Niterói/RJ, ambos em 2023. Eu mudei o enfoque desta pesquisa porque estava muuuuito saturada de pesquisar sobre violência em territórios periféricos (é foda, né?), mas também para direcionar a análise para referências mais próximas de assuntos relacionados à memória. De todo modo, qual fosse o assunto, os relatos que ouvi de cada entrevistado me chamaram muita atenção pelos modos como as histórias deles se cruzavam e se confluiam e a pesquisa se construiu como se quis ser construída: acabei registrando seus modos de engajamento e mobilização de problemas públicos ─ isso, de algum modo, é também um exercício de memória, né?
tive a oportunidade de atuar como Locutora & Podcaster no projeto de extensão do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB/UFES), o "Programa Afrodiáspora 104,7FM" da Rádio Universitária.
segue alguns dos episódios que eu mediei e editei:
Registro da ocupação secundarista de 20 dias da escola EEEFM Almirante Barroso em Goiabeiras, Vitória/ES, 2017, contra a PEC 241.
VER: https://g1.globo.com/espirito-santo/educacao/noticia/2016/10/es-tem-45-escolas-ocupadas-segundo-secundaristas.html